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Secretário de Saúde nega mortes por KPC e sugere baixa imunidade entre idosos. Secretaria só considerará a KPC ou outras superbactérias caso familiares autorizem fazer necropsia. Enquanto isso as  pessoas continuam morrendo nos hospitais.

Por Kleber Karpov

O Jornal Correio Braziliense publicou uma matéria (10/Jul), intitulada “Dois idosos com superbactérias morrem no Hospital Regional do Guará” e relata dois casos que ocorreram no sábado (4/Jul) e domingo (5/Jul), mas somente agora vieram a público. Isso chama a atenção, novamente, ao que o Blog Política Distrital, vem alertando, a incidência de mortes ocasionadas por infecção das superbactérias, em especial a Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) continuam a matar pessoas. Embora o secretário da Secretaria de Estado de Saúde do DF, João Batista de Sousa, negue e atribua as mortes à baixa imunidade de idosos.

Vale lembrar relatos de familiares de dois casos de idosas que deram entrada nas emergências saudáveis e não saíram com vida há pouco mais de um mês. Uma no Hospitais Regionais de Taguatinga (HRT), primeiro caso do registro de KPC no DF este ano, e outra em Sobradinho (HRS).

Em ambos os casos os familiares foram unânimes em afirmar que as senhoras não tinham quadros de doenças e eram perfeitamente saudáveis, caso demonstrado inclusive pela TV Globo no telejornal DFTV e também abordado por Política Distrital. Coincidentemente, ambas deram entradas nas emergências dos hospitais por ocasião de fratura de fêmur, caso comum entre idosos, principalmente, entre as senhoras em terceira idade. Nas ocasiões a SES-DF argumentou que as idosas entraram nos hospitais com comprometimentos de saúde, o que foi refutado pelas famílias.

Nessa semana, de acordo com a matéria Sousa voltou a repetir o mesmo argumento: “os idosos estavam debilitados”. Sousa descartou a morte for infecção de superbactérias uma vez que os familiares não solicitou que fosse realizado necropcia para definir a ‘causa mortis’. Com isso o Secretário atribuiu as mortes a  “problemas crônicos e de outras patologias, não sendo causadas pelas superbactérias.”.

A culpa é da necropsia

Chama a atenção, que um aparente recurso, talvez possa ter virado retórica para justificar a ‘farsa’ da KPC, a argumentação que a declaração de ‘causa mortis’ por decorrência das superbactérias, só é admitida pela SES-DF, se a família autorizar a necropsia do corpo.

Assim, após transferir o ônus as familiares, fragilizados por perder entes queridos, que em alguns casos adentraram as emergências dos hospitais, saudáveis, a SES-DF só contabilizou, oficialmente, um caso de morte por ação de superbactérias.

De acordo com a nota da Secretaria: “Em apenas um dos casos de morte de paciente os familiares pediram a necrópsia do corpo, exame que deve apontar a causa da morte. Ele estava com a bactéria Enterococo e internado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT).”, afirmou a Secretaria em nota encaminhada à imprensa.

Médicos e advogados questionam

O médico, Eliezer Mota observa: “A família não é impedimento para a realização de necropsia em caso de suspeita de doença contagiosa de alto risco à população. A necropsia é compulsória,” afirmou.

A advogada Tania Martins por sua vez afirma que: “A simples suspeita da superbactéria é de notificação compulsória às autoridades sanitárias.”, afirma ao denunciar a conivência do Estado ao permitir ou ignorar tais práticas: “O Secretário (Sousa) está manipulando os fatos e abusando da ignorância do povo. Isto com a conivência da equipe de governo do DF e da respectiva base aliada.”, disse.

Fonte: Política Distrital

Mais duas idosas morrem por ação de superbactérias no Guará

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